Namorado, I

Não lembro quando nos encontramos, nem quando nos beijamos, tão pouco como nos amamos. O namorado dos sonhos, de desejos ardentes, dos cafés especiais no fim das tardes. Deveríamos estar para sempre enamorados!

Unir o misto das incertezas com o misto da tristeza (as que carregamos de outros tempos) e transformar em chamas ardentes de ternura e amor. Lembranças fúlgidas, reminiscências eternas!

Almoços em portos, em praças monumentais, em botequins das cidades antigas, museus, em castelos fantasiosos onde a hierárquica herança não faz mais morada.

Ah, namorado! Suspiro-te, transpiro-te e abraço-te com o grito calado em dia de angústia, com os silêncios da rotina. As lágrimas surgiram, e o coração sufocado não ousou falar, apenas calou.

Calada voz, décadas ouvindo o coração murmurando. Não nego, admiro a altivez, a postura fenomenal, o olhar discreto perdido no espaço, em paz. O sorriso partido em risos sinceros, em gestos singelos.

Não recordo como acordaste em nossa primeira noite, nem como tiraste os meus brincos. Tão pouco, conheço o namorado.

Nota: ainda não sei o ano, mas quero presentes por todos os séculos de ausências!

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