Meditação: Perguntas não alteram o que ocorre, postura sim. (2° Reis 4)

Bom dia! Dormiu bem? Bebeu água? Agradeceu? É o primeiro café do ano, na última semana do mês. Passou rápido. Pulei três segundas-feiras com textos prontos, mas achei que não era. Esse também não é, mas vai ser. Já tomou café? Não deixa esfriar…
A maioria pergunta, mas não estão interessados nas respostas, agem na superficialidade. Não que não há interesse, mas pergunta e resposta requerem responsabilidade da palavra, e palavras têm muito poder. Qual é sua palavra de poder?
A mulher descrita no livro dos Reis disse estar tudo bem quando o filho estava morto. Como assim, “Está tudo bem”? Sunamita, uma mulher próspera e visionária, vivia uma vida alegre e próspera. Sem grandes desejos e nenhuma esperança em gerar filhos. Ela e o companheiro já tinham idade avançada quando Sunamita foi “presenteada” com um filho, por meio da intercessão de Eliseu.
A maioria dos discursos sobre o texto bíblico defendem que devemos alimentar a esperança a todo tempo. Bom ou ruim, deve-se permanecer “firmes na base”, crendo que as situações se tornarão favoráveis.
O que leva à esperança? Qual fé-força-estímulo é necessária para seguir em paz? Uma imersão no otimismo? Um coach milionário? Projeções? Meditação? Sonhos? Desejos? Família? Crenças?
Como permanecer “bem” quando tudo afirma o contrário? Quando tudo vai mal… O ônibus quebra, o celular falha, a internet desaparece… E para ajudar, o chuveiro queima!
Trinta moedas em outra resistência. Acontecimentos em um dia ruim, certamente não são nada diante de problemas bem maiores, mas que não deixam de ser problemas à resolver.
Cansamos por besteiras, por ofensas tolas, por brigas irrelevantes… Mas Sunamita, não. Sua criança estava morta, morreu em seus braços… Morta por causa de uma dor de cabeça.
Eles estão mortos também, não por falta de oxigênio, mas por falta de zelo e dedicação com o povo.
O filho está morto. Como dizer que está tudo bem?
Não estava nada bem com Sunamita e ela diz ao marido para que não se preocupasse. E sai ao encontro do profeta que retorna com ela e ora a D’us e ressuscita seu filho, com boca a boca, olhos com olhos, mãos com mãos…
Na comunidade dos Duas-pernas, vai tudo muito mal…
Meu pai diz que vejo lado bom até onde não existe. A verdade é que prefiro acreditar na existência de mais pessoas boas que ruins e que até na ignorância da prática malévola haverá o tempo do aprendizado, chegados pela consciência ou muitas das vezes pela dor da consequência.
Nos tempos passageiros, onde o Ser vai mal e a crença no Ser está confusa e desacreditada, como alimentar esperanças aos outros quando a nossa está fragilizada, imobilizada ou enterrada?
Esses questionamentos não são de agora. E por um tempo alimentei a ideia do “tá tudo bem” e não estava.
Dizer que está tudo bem é raso demais. Por vezes, não está mesmo e não ficará por um tempo, e sim, está tudo bem em não estar o tempo todo. Não somos bons e fortes o tempo todo.
Da mesma forma, saber se está tudo bem com as pessoas que nos importamos é um valioso recurso nos relacionamentos, porém, se vier sem a disposição ou a coragem para “fazer ficar bem” e quem sabe, até usar o tempo para estar ao lado, enquanto o outro derrama as lágrimas e os silêncios necessários, não gerará bons resultados.
Eu sou mais uma. Sou bem intencionada e bastante curiosa. Aproveita e sacia uma curiosidade… Quanto custa um café expresso na sua cidade?
Enfim, perguntas e respostas não mudarão o que sentimos ou o que precisamos, mas o zelo, o cuidado, o ouvir e a consciência do que representamos para os outros talvez resgate o sentimento do pertencer.
Ah, e ainda tem os ventos atípicos. Sempre que possível, evite as mazelas que levam aos sofrimentos… aborrecimentos, angústias, rancores, ofensas desnecessárias.
Siga a vibe Bob Marley: Paz e Amor!
Não há muito a dizer, mas se devo dizer algo, vou reproduzir a frase da Sunamita: “Não te preocupes! Ficará tudo bem! Vai dar certo. Acredite no poder dos feitos. Seja Alegre, sempre! E Se cuida!”
A frase curta era a forma da avó dizer que nos amava. E ela nos amou muito. Nos cuidar é a forma de honrar.
Tô em falta aqui.
É necessário mais que cuidados, mais que amor, mais que atenção e alteridade para percebermos e ouvirmos silêncios e lágrimas. Entretanto, não é porque não dizemos ou perguntamos que não nos importamos. Nem tudo cabe a nós!
Inté… Dos hinários diários… 💆🍀






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