Pedindo a Lua Para Sair Mais Cedo…

Arte: Pedro Ruiz

Jangada fria, silêncio do céu estrelado por nuvens carregadas, sem água. Olha o tempo para não chover… Não choverá, meu bem. Fará mais frio. Frio além do frio que o termômetro marca. Compre meias. Usa as meias. Aqueça o coração, as mãos e os lábios. Reduza o barulho na mente e no corpo; descansa, olha para si e se escuta.

Faça uma autoanálise diante do espelho. Aproveite o despertar estiloso do dia que chega cedo. Observe a mestria do Sol, das nuvens e dos céus. Seja o mestre e o maestro. Sejamos bons peritos na vida que inicia.

A alvorada chega mais cedo, a noite dura bem menos que o habitual. Sei, é verão, mas diria que os dias já não têm vinte e quatro horas… Minutos que não são mais sessenta segundos e segundos “perdidos” ao romper do sol.

Gris, é a hora que desperta pássaros, que as matas desbravam liberdade, que o orvalho escorre a escuridão, que as matas cobram os raios. Hora que a seta aponta para o alvor, reverenciando a boa luz do dia, iluminando trilhas e pedras. Soprando brisa nas montanhas que vens empurrando, mesmo quando parece não mover. Sê forte!

Não estou insana ou desapercebida das horas, mas a percepção do tempo e espaço são como flechas de segundos em milésimos de acontecimentos que nos fazem postergar segundos, minutos, horas… E é tempo que desvanece; tempo que fica vagando sem nós.

Sonhou esses dias? Acordou no susto? Dormiu mais tarde ou acordou mais cedo que o normal? Despertou de madrugada? Sonhou… quantas vezes?

O que sopras… a encruzilhada: o medo depois do medo. Fazia meses que não dormia tantas horas… dormi um dia e acordei na cruz acima. Desmaiei, não lembro para onde parti, o que fiz, o que disseram, o que fizeram.

Estar fora do corpo é um negócio estranho e distanciado, parece com o dormir, mas não é. Tu estás ali e o corpo tá reduzido a uma casa sem habitação. Enquanto que o morador debruça a vida sobre muros e abismos de submundos, fazendo sabe-se lá o quê.

E qual mundo há no abismo que visita? Não sei de onde venho…

O corpo acordou e o espírito ainda não havia chegado. Acho que ouvi o “anjo” dizendo: “anda, ela despertou”. Em três ou cinco segundos, talvez, até uns dez, a flecha atravessou a carne com tanta velocidade que trouxe dor ao corpo físico.

Aí, que isso? Vai com calma! Brava, perguntei por onde andava tão faceiro, que havia deixado-me largada sobre o chão frio e gelado. Custava jogar um cobertor para aquecer? Sem resposta e com dor aumentada, adormeci novamente.

Desta vez dormi, não desmaiei. Sonhei um sonho sonhado antes. Tão ruim quanto. Tão estranho quanto qualquer outro sonho “sem sentido”. E tem, e faz, e precisa ter todo sentimento possível.

Não sei onde habito quando não estou. Tão pouco com quem falo e discuto. A quem amo, mato e descaso, a quem ofendo ou perdoo.

Mas a hora é cheia, e é o luar da madrugada que vem espiar o rio da estrada. Ah! Gratidão nos caminhos. A lua está disponível para diminuir absolutamente tudo e receber a nova linhagem que está à porta.

E, na porteira da mata, tudo novo chegará. Espere a folha cair, o pássaro agradecer, busque o que é seu, lide com a flor morta, desabroche os frutos, seque a chuva, faça mais fumaça e sopre com alegria. Beba água sem cafeína.

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