“A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a nos sentir livres até num cárcere e a estar sozinhos até no meio da multidão.”
– Massimo Bontempelli
Quando ouço falar sobre relacionamentos, compromissos enamorados, promessas e peripécias de casamentos, lembro-me desses “cadeados do amor” trancados na Ponte da França, nas árvores de Moscou, nas grades do Rio Tibre e no cordão da infância, que vinha com dois pingentes: “chave e cadeado”. Amar não é trancar o amor num cadeado e entregar a chave ao outro ou atirá-la em rios, com a crença na esperança de um amor incondicional para a eternidade.
Não estou aqui para desmerecer a ritualística de ninguém. Eu mesma deixo chaves, moedas e pedras no incensário. Vivam tudo o que creem.
A chave é símbolo de resoluções de problemas, soluções, mudanças, novidades e liberação. Ela revela o oculto, revela a alma e, em ritualísticas, costuma atrair sucesso, gerando riquezas, não só financeiras, mas em todo contexto pessoal.
O cadeado fechado traz em sua representação bloqueios, dificuldades e impedimentos, inibindo intrusos e desconhecidos. O lado positivo de um cadeado fechado é bloquear energias externas e negativas. O cadeado aberto representa entradas, aberturas de caminhos, carregando na simbologia a prosperidade e a abundância.
Compreendendo um pouco da simbologia da chave e do cadeado, podemos concluir que, nos relacionamentos, os cadeados devem ser abertos em momentos específicos, e ambos devem ter acesso às chaves que abrem os caminhos para a felicidade em comum. Abrir quando necessário gera sentimento de segurança.
Amar é a liberdade de querer estar em algum lugar ou com alguém por livre e espontânea decisão, afeto e amor. E amor não provém de uma simbologia simples. Não estou desmerecendo o nome escrito no tronco da árvore, nem as pétalas jogadas ao vento, nem mesmo a chuva de arroz sobre o casal.
Vai, compra os cadeados, escreve os nomes, mantenha a fé na tradição enamorada. E não joga a chave no rio. Guarda. Deixa o rio livre e limpo. Que sejamos livres para amar e receber do amor, sem as amarras desarmoniosas geradas na vaidade e criadas no egoísmo.
No amar, não existem regras ou certezas; existe o sentir incondicional e a vontade do querer. Querer ser mais para si e para o outro. Assim, a liberdade cresce e o amor evolui. Portanto, sejam inteligentes, guardem o coração e, antes de trancar os cadeados, certifique-se de ter o controle da chave. A chave do coração é pessoal. Intransferível. Amem, amém!
Meditação: Salmos 107: “Que eles deem graças ao Senhor, por seu amor leal e por suas maravilhas em favor dos homens, porque despedaçou as portas de bronze e rompeu as trancas de ferro… Reflitam nisso os sábios e considerem a bondade do Senhor.”







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