
Poesias dos Andrades e Vinícius não contam. Poemas não contam. Os versos esdrúxulos de Fernando também não, como ele disse: “Todas as cartas de amor são ridículas.”
Se li, estava atrelado a alguma guerra, suspense, terrorismo ou envolvimentos desconexos. Lembrei de um livro cujas páginas jorravam sangue indolente. Inúmeras perseguições políticas, poetas calados, jornalistas e artistas exilados. Os amores eram impossíveis, chorados nas estações de trem. Estação de trem tem feição romântica.
Onde moro, não existem trilhos. Não sinto saudades do metrô, do trem ou do bondinho da Santa Teresa… talvez da Tereza e do Murilo. Perdi pessoas importantes em linhas férreas.
Na sua cidade tem trem? Deve ter sobrado trilhos que atravessavam estados. Nos leva para passear na Maria Fumaça? Peça dois cafés na padaria da esquina, por gentileza.
É você e D-us e amigos invisíveis. Alguns bebem café com você. Outros leem blábláblá… hehe! Mas é você e você, firmes no propósito.
No livro em que a memória vagou, havia um certo romantismo, mas era envolto em laços ambiciosos, luxúrias e conquistas bem-intencionadas. Um romantismo pela liberdade distante, envolvido em armadilhas. Faltavam sentidos reais, emoções. Os toques na penumbra da alma. Não pela falta em si. É que ideologias solitárias não bastam.
O sangue, os casamentos e as separações quase sempre eram obrigações. Relatos tristes, carregados de medo, rancor e dor. Alguns causam repulsa. Um dito, raiva. Outro, ódio. Terceiro, amor. Mas não havia amor.
No máximo, o deslumbre pela falsa promessa da liberdade ou pela ilusória paixão nos relatos das princesas… “Doutor, por favor, não!”
Não saberia descrever todas as emoções que certos romances causam. Das doses de emoções, não consigo lidar com três, talvez até cinco. E são sete as universais. Algumas emoções têm a capacidade de adentrar sentimentos remotos e extintos. Que emoção ativa o gatilho?
“O que chamamos de memória… É como quartos trancados. Os quartos levam não só ao passado, como voltam para o início. O começo de tudo…” E quantos segundos dura o êxtase da felicidade? Desde que elas não sejam prisões!
Eu não sei dizer. “Quem quer dizer o que sente não sabe o que há de dizer. Fala: parece que mente… Cala: parece esquecer…”
Dois segundos de um sorriso largo? Um dia inteiro na simplicidade de um “bom dia”. Na paz, à ausência da dor. Nos minutos de conversa com as filhas. Na fotografia que admira. O tempo que degusta um tablete de chocolate… o pôr do sol fazendo sua mágica? As cores do amanhecer. Em um sorriso saudoso dos avós, dos pais. Ou na euforia do irmão mais novo. No abraço da pessoa amada? Reunião com amigos… música boa. Na conquista, no reconhecimento, no prazer após um dia tenso. O fim frustrante em um livro romântico. Acabou! Ufa.
O êxtase é relativo. Os segundos podem ser toda a existência, e a felicidade é memória de variados momentos.
Não sei descrever, dissertar e viver sobre o aspecto de algumas emoções e sentimentos. Tenho várias interrogativas, pontos e vírgulas infinitos, multidões de reticências… minhas próprias aspas.
E a romântica Heloísa já falava: “Cubo de gelo, dentro do freezer.” Por mais que tenhas mergulhado nas zonas do Ártico, o corpo permanece aceso no calor do espírito. Não percebi quando entrei no freezer. Peço desculpas por isso. Quando estiver de cheganças, providencie o café, o beijo e a brasa da cidade dos romances, e desligue a tomada, por gentileza.






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