“A sabedoria já edificou a sua casa, já lavrou as suas sete colunas.” (Provérbios 9:1)

Meditação: O hoje é divisor de águas, entre o ontem e o amanhã – o estar. | D-us é a minha força | Salmos 27 |2 Reis 25
Há colunas. Mesmo sem o concreto que traz segurança e conforto. Eu sei, elas estão içadas. Tem uma coluna atolada na terra, erguida com madeira de lei e massa de barro. Não é possível que caia! Talvez balance, de um lado ao outro, como se quisesse partir, e vai… mas é a coluna que sustenta.
Estruturar-se é assim: solitário e oculto. Quem é a Mãe que balança o berço? Ou seria de quem é a mão?
A insegurança aumenta quando o alerta meteorológico diz que existe probabilidades de chuva e vento; as incertezas surgem, e por vezes, a chuva nem chega, e o vento passa. “Tudo passa!” E o sopro muda. Soprar em que velocidade?
Só há uma nuvem carregada sobre o céu dos pensamentos… Quase impossível que chova sobre o olhar dos trovões dos dois guerreiros. Certezas queimam! Direções chegam no caminho. Não há o que soprar, duvidar ou temer; a direção foi dada – por herança viva de quem nos rege.
Tem outra coluna erguida, segurando o vento. Do que é feita? É denso. Com quais fundamentos assentou-se? O ar presente é nem sempre é rarefeito, mas tem aroma de lar – lá onde estamos é lar; o lar somos nós, e ela, uma barravento resiliente.
O que é o escuro da noite? Eu doei berço sem ter usado. Serviu de móvel para fotografias. Triste isso, viu, mas doar sem usar é magnífico.
Ensinam a doar as sobras, o que não cabe mais, a doar o que está gasto, mas ainda é útil ou o que “não te serve mais, mas serve para o outro”. Comprar para doar é diferente; muda o conceito de valor e troca, transforma a ideia do servir ao próximo com a máxima do mínimo. Sirva!
Onde está o solo da outra coluna? Porque há outra, além das duas? Como estar por estes solos? Como ouvir do sustentar, da estrutura, do provir, do querer, do afeto, sem saber dos alicerces? Por quê?
O que calei no silêncio? O que não ouvi, vi ou não escrevi? O que gritei sem cessar não acessei; cansei. Não por desistência, e sim por precisar. Ela está sendo plantada.
Há duas colunas, duas raízes desconhecidas, cevando sonhos e corações fora dos corpos… mas quão profundos são? O quanto foram escavados? O quanto ainda serão? Há uma terceira coluna no corpo da casa. Não uma quarta, nem quinta… mas até a sétima subirá por nossas escadas.
Eu nem tenho paredes, mas sei molhar plantas… não sei sentir afeto, mas sei ouvir. Posso comprar amor no eBay? Não tenho janelas, nem portas – deixa aberto: o que for bom entra, o que é ruim não fica.
Além de não ter, não sei tecer planos; sei esperar, não sei despedir; sei escrever, não sei dirigir… sei até doar-me, mas não sei educar; sei entender e não sei persistir; sei ser filha, não aprendi a ser mãe; sei ser desvarios, não desenvolvi progresso, e sei amarrar ferros farpados!
E a escada? É sempre para o alto, nunca para o sótão. A vida não pode ser um filme de horror onde se escolhe acessar justamente a porta do perigo.
“…tua casa e o teu reino serão firmados…” (2 Samuel 7:16) 🛠
O estar nem sempre é presente. Hoje, a ausência pode parecer dura, insatisfatória e doída, mas ontem parecia mais distante e amanhã, mais perto. Hoje é um estar não estando. Não estou. Não estás. Não estar. Estamos!
Eu realmente não estou. E faz tempo! E, como o divisor de águas, não é a mesma água. Nem a dos copos, nem a das lágrimas, nem a dos oceanos. Nem a dos céus que nos alimentam! São muitos respingos. São muitas as águas que não nos molham. Beba água!
Bênçãos. Se cuidem! Inclusive da coluna.

Imagem: Ezio Anichini?






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