Poeta dos Trilhos

São três da tarde de outra terça,
quando os trilhos cantam sua melodia,
arrogantes, quentes, barulhentos,
como um palhaço que clama por atenção.

No outro lado da plataforma, um guri
com chapéu roxo de palhaço e roupa listrada,
prisioneiro de seu próprio espetáculo,
recita versos que o vento arrasta.

Cadê Lisbela, musa inspiradora,
com violão na mão e dor no coração?
Sua melodia é o contraponto
aos acordes dissonantes da cidade.

Fora dos trilhos, uma garrafa de uísque
alegraria esse sonhador,
como um pincel que colorisse sua alma,
duas valsas de prazer para esquecer.

Mas eis que vêm os guardas, jovem poeta,
como trens que partem sem destino.
Corre! E salva essa liberdade prisioneira,
antes que o silêncio te engula.

Nesse palco urbano, onde trens são personagens,
e o guri-palhaço é o protagonista,
Lisbela é o refrão que ecoa,
entre os trilhos e a liberdade.

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