
Aquela que conheceste jaz em inexistência.
Virou ruína, flor e espinho.
Permita-se vislumbra-me outra vez? Um cinema? Meu Bolo Favorito?
Algum gesto que nos recorde quem éramos…
Aquela menina sorridente, de cabelos como rio, cheia de vida, ficou perdida na estrada.
Dissolveu-se nos anos, emoldurou-se no singrar de linhas e desuniões.
Fomos devorados pelos calendários.
Restou a sombra do seu perfume antigo… aroma de quem amou e não recebeu o que precisava.
Fez-se enigma, versos silenciosos, ausências.
Cria as versões minhas que encantam, que casam, que namoram, que sambam com outros versos mais.
Toda vez que se sentava diante de ti, tentava ser inteira, transparente e honesta.
Mas não foi consigo.
Faltou coragem?
Morreu muitas vezes, um pouco se dissolveu para não matar o que restava de vida.
Partiu sem querer ferir como feriu outros.
Tentou poupar das chagas que abria em outros corpos.
Anulou-se para não sentir a crueldade, como já fora com outros que nunca amou.
Não suportaria ver o teu coração dilacerar pelas ações frias, densas, opalinas.
Negou para não despedaçar-se no espelho dos olhos.
Calou e partiu por covardia, talvez por receio da ternura do amar, do constranger dos sentimentos.
Partiu com a certeza e o lume.
Poderia o outro ter julgado o fado, a sina.
Poderia ter sentido e concluído que o que ocorreu foi apenas rejeição. (O que pensávamos?)
Que negou o amor, o refúgio e o destino.
Mas não.
Há amores que não findam.
Há amores maiores que presença.
Amantes que, mesmo sem o vapor do corpo, persistem como fragrância na roupa, como brasa oculta sob cinza fria.
Com sons inaudíveis, com o sopro que retorna nas horas em que o silêncio ensurdece.
E se ainda houver sentido dentro desta vida, talvez ainda sejamos nós, perdidos sob os véus do tempo.
Temflor.com | Cassiane Souza
Imagem inspiração: releitura de Gustav Klimt





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