
Vento esvoaçando a água dos olhos – o grito recorrente. Lágrimas descem entre pedras e sangue, lançando toda sorte de bênção.
Receba-me na fluidez das águas, sopre a fumaça no rosto, limpe-me com seu ouro, até que meus olhos brilhem.
Minha índia, minha deusa, deixo aqui toda tristeza, angústias e avareza. Permita-me lavar-me, banhar-me em suas águas sagradas, toque-me não só a pele, mas revista a alma com pureza.
Limpe o coração de dor, de todo resquício do tempo, de fraqueza e encha-me de amor. Cure-me da desistência, mantenha-me firme e sopre para longe as sombras.
A pele arrepia ao ouvir a música das árvores. Folhas caem enchendo os braços do rio, seguindo seus caminhos com águas vermelhas.
De longe, Seu Sultão anuncia sua vinda. Um som silencioso abre espaço na mata; seus pés brilham. Ele não é visto, mas sua presença é sentida e esclarecida.
Percebo o olhar observando-me; ele recebe-me como quem está em falta, olhando-me como quem há muito não ouve minha voz. Há tempos silencio minha voz!
Tenho vivido e falado o mínimo. Como quem empresta o som, mas não exige fala. Como quem ouve sua voz e sente necessidade de silenciar.
No entanto, a mente não silencia… Estou escrevendo, descrevendo. Estou no silêncio da voz, abrindo o sentir e os mistérios.
O cabloco acompanha a entrada na caverna até a piscina de luzes violeta. A índia permanece fora com os animais. Desta vez, não é o mesmo caminho.
A águia voa alto, percorre uma mata aberta e plana, e em uma nova montanha acomoda-se silenciosamente em seu ninho.
Aho! Gratidão!









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