Cacos Neste Chão

Cacos neste chão. São de vidro. São vidros de vidro?

Pregos e águas. Muita água nesta Terra de faltas.
Muitos grãos sem terra, muitos raros sem flechas.

Alinha tua trama. Chão… Um grão no chão sobre os pés.
Pés sem chão? Não sei.

Não queira os pés, nem o chão, nem mar parado,
nem oceano agitado, nem céus nublados, tão pouco réus-confessos…
Queira mais que tudo isso que já quis hoje e ontem.
– O que quis? Águas… Mar sem nós. Barco longe. Nem cais resta.
Nem aurora, nem discórdia, nem dúvidas, nem primícias,
nem certezas ou cervejas. – Nada!

Sobra a música que não escrevi sobre mim.
Resta Deus, que também não desistiu de mim.

Assim, me vou, me vai, me vamos.
E vou sem mim mesma – como sempre foi.
Vai também, sem destino, sem letras,
sem recados, sem certezas.

Vai, apenas com cacos e alguns goles deslumbrantes
de mim e o nada que reflete no espelho retrovisor
do carro da vida.

Você quer um gole? Dois goles? Três goles.
Quem sabe um espelho novo no bolso do casaco?
(É pra fazer sorrir na vida. Compra, tu vais rir ou vais lembrar de mim).

Ou experimenta uma garrafa qualquer dos destilados
dos parentes da família.
Não sei se bom ou ruim, nunca bebi,
mas certamente tornar-se-á mais embebecido de mim.

Mim, mistério, melindre, montantes de magistérios de nada.
Nada de mim.

E, por fim, pôr fim: pregos.
Pregos de ferro. Feita do ferro sou.
Moldada em barro, talhada por faca afiada em justas luzes.

Então, não deixe que oxide o ferro que há dentro de ti.
Retire os preços dos pregos, libere-os das prisões irrelevantes.
Afie o martelo dos pregos.
Sem cabeças, com cabeças, afiados ou não.

Não faça contas, não some valores,
apenas saiba dos pesos em que cada um suporta
quando se martela. Tu martelas!

Mas cuida para não martelar cacos de vidro.

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