Depois do Barco.



Queira sentir a brisa que nos ama.
O vento que eleva pensamentos, que retira receios e olhares.
Quais pendências estás a sentir, a criar e a resolver?

Ouço o galo acordar a alma…
Acorda, moça! Madrugada: dormir tarde, levantar cedo.
Ele caminha para a porta da morte.
O galo grita, alto.
Eu fico muda, calada, estática.
De mim, ele quer mais, mas de ti, não sei.

Se o grito é alto, o laço é sem nó.
Para que saibas quando e como chegar, saber que deve ir e, se quiser, poder voltar.
Penso que só precisas seguir teus planos (os traçados em sacrifícios).
Eu preciso girar, movimentar âncoras!
Fertilizar raízes, orquestrar passes, recolher folhas.
Preciso mudar as mudras e deixar de me fazer de surda.

O que resta depois da morte?
O que veio antes dela?
Que som é esse que perfuma a hora em que a alma parte e o corpo fica?
Que silêncio é esse que habita os ouvidos?
Flores, frios, sons imperiosos?

O poema do corpo, desdobrado, mudo, consciente, nulo.
O cavalo que já não anda e ainda cavalga em céus laranjas.
É um lindo alento!
Vidas de vindas, idas e renúncias.
Olhares perdidos, desencontrados.
Vinte anos é tempo demais para muitos.
E, cabalmente, não fazem ideia da grandeza que são.
E, se fazem, a maioria não vive o amor e a luz que há em cada ato.

O que desejamos fazer com excelência?
Quem somos nós?
Como abarcamos?
Corpos desfalecem, mas as almas caminham.
Há uma fila em regeneração, outra doentia, outra que busca a cura para males não sabidos.

É recesso ou é pela cura?
Precisam de clemência, remissão ou remoção?
Será que querem perdão?
De quantos estou supondo?
Perdoar é um meio ou uma fuga?
Ou falta de coragem de encarar a face?

Quantos barcos ainda temos?
Quanto tempo dedicar-se?
É preciso enfrentar, posicionar, agir!
Tu és grande!

A vida é efêmera.
O espírito é atemporal.
Portanto, ame a vida que dificulta seu ar.
Máscaras de oxigênio cairão, se precisar.

Nota:
1. Eu devia ser menos cética e egoísta, pois acredito na bondade humana, na pureza e na leveza das relações, mesmo tendo que sair na rua vestida de proteção.

2. Trocar ensina.
O que o corpo lava na folha é curado na alma, alcança os pés, as mãos, o coração.
Bênçãos!

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