O caminho já te reconheceu

Imagem: Patiogba


Há um redemoinho antigo que chega com dendê quente, com chama viva, com verdade que não acaricia. Nada de romantismo, o diálogo é sem massagem. Ele é mestre de encruzilhadas. É ele quem tudo come e que come antes, quem decide o ritmo, quem provoca movimento e te coloca na brasa para te polir. Provoca desafios. Te lança em alturas que nem os ousados enxergam.

A estrada já está liberada para quem decide pisar sem balançar. Porque segunda-feira é terreno de escolhas e começos, de passos firmes e certezas.

O sal do mundo tem o sabor do tamanho da tua alma. Uma pitada de sal num copo d’água amarga tudo. A mesma pitada num lago some. Assim são as dores, as críticas, as perdas, as dúvidas. Se a tua vida está pequena, qualquer grão muda teu gosto. Aprofunda. Amplia. Torna-te lago e não copo. É assim que o amargor perde força e as alegrias encontram caminhos.

Antes de abrir o comércio do próximo ano, limpa o terreiro interno: corpo físico, mental, sentimental e espiritual. Arruma tuas intenções. Recolhe o que sobrou do ano como quem junta carvão aceso, porque ainda serve, ainda queima.

E vai além: observa o que ainda te prende, o que ainda te puxa pelos tornozelos quando tu tentas avançar. Toda mudança pede desapego. Toda fartura pede espaço. Não existe prosperidade onde a casa interna está cheia de restos, sombras e vozes antigas que já não te representam.
Faz uma faxina honesta das tuas culpas, das tuas promessas quebradas, dos teus receios que ficaram sem dono. Lava tua história por dentro como quem prepara chão para receber visita importante. Porque é isso que o próximo ciclo é: uma visita que cobra postura, que exige respeito, que recompensa quem se apruma (literalmente).

O próximo ciclo quer firmeza, constância, fartura e coragem, não lamento e lembrança que enfraquece. Quer tua presença inteira, não tua metade cansada. Quer teu compromisso com aquilo que você diz querer. O ano que chega não aceita meia-verdade, meia-força, meia-fé. Ele pede alinhamento com o que pulsa no teu peito.

Quando este texto tocar quem precisa, o galo já terá cantado dentro de nós. E quem escuta esse canto não volta para trás.
É tempo de acender a própria chama e abrir caminhos para o ano que vem vindo com sede de mudança e grandeza.

E lembra: quem caminha com verdade nunca caminha só. A cada passo firme, o chão responde. A cada decisão alinhada, o destino se move. Há forças que só se revelam para quem ousa se levantar. Há portas que só se abrem para quem chega de frente, peito vivo, coração acordado.
O ano que se aproxima é estrada larga para quem quiser expandir. Mas para quem seguir pequeno, ele será estreito. Por isso cresce agora. Abre agora. Respira agora.
Te prepara como quem sabe que a vida gosta de quem se apresenta pronto.
E quando o comércio abrir, que tu estejas acesa, inteira, digna da fartura que te espera.

Mo júbà, Èsú!

Nota: encerrar os ciclos; ser lago e não copo. Sal na medida. Mel na medida.

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