Ver é do Reino

Secos, como o copo vazio; encharcados reinos, arretado primor
que queima notas e palavras. Conversas, lábios, bondades e corações secos?

Frescor quase frio, quase gelo, quase vestígios.
Ríspidos ventos que norteiam estações inertes.
Doutrinação matinal, silêncio noturno, sais tardios.

Que leituras essenciais admiras, o que escutas?
Ossos do ofício – demonstração nula, palavra muda.

Vejo pensativas refeições silenciadas na cantina…
Benze a água, a comida, a visão, o emprego, a família!
Que prioridade cala a voz, que pensamentos sonhas?

A indiferença mútua, a reciprocidade vazia… alteridade!
Doce sol, Passarinho. Anoitece tarde, amanhece madrugada…
Sem o raio nos olhos, sem a flor e sem o café para o ensejo.

Observo, vejo, mas não faço mais “presença”, importa-te?
Senhor, desfaça-nos do ego nocivo e revela-nos tuas venturas.
Livrai-nos de todo o mal.

Imagem: Pinterest

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