Frígida, presa na bruma.
Prefulgida visão, sensação de desconsolo.
Tarefa árdua? Nobre desprendimento.
O que é desespero?
É ver o filho cair do nono andar,
a sensação do carro capotando na rodovia?
Um último suspiro, o silênciar de um tempo,
o atravessar dos trilhos?
É a violação do corpo, a impotência do agir,
o sangue derramado?
É o coração que não funciona,
as pernas que não atendem,
a falta de ar nos pulmões?
São as mãos sujas?
É o corpo quebrado que não pode negar,
tão pouco confessar e querer ser perdoado?
É a divina remissão no tratar da culpabilidade?
A misericórdia complacente do espírito?
A crença na rainha ornando e guiando
com clareza as estradas lodosas dos ofícios,
ou é a sabedoria majestosa requerendo
o ouro de Parvaim?
O que causa o desconsolo?
Algo que escorre na vaidade,
pela ganância e avareza,
destrói o encanto?
A beleza da vida, a cor das flores,
a luz do sol?
Há uma prisão preventiva na vida.
Prenúncio?
Enlanguecida nas nuvens,
estagnada nas rodas,
abóbada em giros constantes; a alva!
Quero o cavalo alado!
Tira do sangue braçal,
entranha na via vital.
Tanto faz se o oxigênio chegará ao pulmão,
pois, se o coração está na boca,
a dor, se quer permite sentir as necessidades,
os excessos.
Aplana.
Escorre sofrimento pelo desencanto.
Chora a lágrima de sangue;
ecos na vida, sons aos desenlaces…
Reinos da Consolação.
Um claustro, à deriva.
Ato impróprio.
Imperdoável?
Vidas irreparáveis.
Reparável?
Sem a dor, sem a lástima das amarguras.
Só lapsos silenciados em gritos
que percorrem séculos.
Fuja, silencia o ser que habita errôneo.
Orvalha-te, ó coração, em mórbida aparência.
O ar falta, na pureza sempre há de faltar.
Os pés não alcançam, os olhos já não enxergam,
a água toma os pulmões, é um afogar sem líquidos.
Memórias.
Não há lágrimas.
Nem dores.
Há o aroma, um Ó infante suavíssimo.
Aspira, não fuja, mas escapa nas sombras inexoráveis.
Não há desespero, nem consolação.
Salve Rainha.







Você precisa fazer login para comentar.